Audiência na Câmara apresenta medidas emergenciais

Com o objetivo de debater a situação atual em que se encontra o açude Roberto Costa, Trussu, responsável pelo abastecimento das cidades de Iguatu e Acopiara, a adutora que apresenta problemas de vazamentos recorrentes, perfuração de poços e desabastecimento de comunidades rurais, a crise hídrica que ameaça a cidade de Iguatu e as medidas que devem ser adotadas, na manhã da terça-feira, 20, a Câmara de Vereadores promoveu audiência pública.

Adutora e soluções

A superintendência do Serviço Autônomo de Água e Esgoto (SAAE) de Iguatu voltou a reafirmar que os casos de rompimentos da adutora se devem ao calor, dilatação, colocação dos canos em terreno com pedregulho, sem colchão de areia. O órgão reafirmou que há projetos que serão apresentados ao Governo do Estado como solução alternativa ao Trussu: a perfuração de mais poços no leito do rio Jaguaribe e instalação de uma adutora de 1,5km para levar a água até a Estação de Tratamento de Água (ETA) do Cocobó; e perfuração de poços rasos no chamado ‘Aquífero Julião’, que injetaria a água diretamente na adutora do Trussu.

Recursos

A reconstrução total da adutora do açude Trussu até Iguatu está orçada em R$ 49 milhões. Em paralelo é pleiteada a reconstrução de uma etapa de 1,5km que levaria um montante de R$ 5 mi onde se concentra a maior parte das quebras do sistema. 

Aquífro em questão

O secretário executivo da Secretaria de Recursos Hídricos, Aderilo Alcântara, citou as ações de sua pasta como a construção de 50 poços profundos na zona rural da cidade, recuperação da mata ciliar do rio Jaguaribe, projeto de construção de barragem subterrânea e reparos na parede do açude Trussu. O também ex-prefeito observou que o município anunciou no ano passado a descoberta de um aquífero, segundo ele, sem estudos técnicos para comprovar a capacidade de água armazenada no subsolo. “Estamos realizando um trabalho qualitativo nas cidades de Iguatu, Icó, Quixelô e Orós na busca de inspecionar as bacias sedimentares o volume de água subterrânea e a qualidade. O que criticamos quanto ao ‘Aquífero Julião’ foi a forma como foi anunciado dizendo que poderia ser a salvação até mesmo de cidades vizinhas. Isso beira a irresponsabilidade”, disse.

O titular da pasta de Agricultura e Pecuária municipal, Hildernando Barreto, rebateu o que foi dito pelo secretário estadual, reafirmando a existência da bacia sedimentar no Sítio Julião. “O secretário foi infeliz. Chegou a dizer que não houve descoberta e que todos sabiam da existência. Se sabiam, foram irresponsáveis em construir um aterro sob o solo da bacia. Ele assumiu que foi omisso. Prefiro pagar por exagero do que por omissão”, declarou.

 

Efetividade das demandas

Promotor do Ministério Público, Fabio Ottoni, acompanha a situação hídrica local desde 2015 por meio de procedimento instaurado. O representante do MP presente da audiência pública reafirmou a vigilância aos agentes públicos envolvidos no gerenciamento da água. “Temos cobrado constantemente.Estamos acompanhando as providências dessa situação calamitosa, que pode ser piorada se não houver ações que dinamizam a distribuição da água”, disse o promotor.

Ambientalista e representando movimentos de defesa ao ecossistema iguatuense, Dauízio Silva lamentou a efetividade das discussões. “Autoridades que são responsáveis por resolver o problema são os responsáveis por causar o que ocorre. Vejo muito mais justificativas e desculpas de quem poderia resolver as demandas do que efetividade na resolução das mesmas”, pontuou.

Presidente do legislativo municipal, Mário Rodrigues (PDT) avaliou a resolutividade da audiência que culminará na elaboração de documento com patamares de prioridades das demandas existentes, visando a um encontro com o governador do estado, Camilo Santana (PT). “Vamos elaborar um documento, mostrar as ações alternativas e procurar agendar uma audiência com o chefe do estado. Algo tem que ser feito não podemos esperar o pior”, ressaltou.

Apesar dos constantes períodos de desabastecimentos, os órgãos rechaçam que os casos tenham qualquer relação com um provável colapso hídrico que já esteja ocorrendo e confirmam que a sede da cidade pode ser abastecida até agosto de 2019 pelas águas do Trussu, que segue com 4,79 % de sua capacidade.